terça-feira, 19 de outubro de 2021

A HISTÓRIA DA CIDADE

HISTÓRIA

Diz a tradição que um Fidalgo da Corte Holandesa de sobrenome Wanderley, na época dos flamengos em Alagoas, entrando em desavença com seus patrícios foi deportado para Penedo, onde viveu o resto de sua existência. Passados muitos anos, sentindo-se doente e perto do fim, procurou um pretendente para sua filha solteira. Homem influente na região, seus amigos encontraram na região do Rio Ipanema um rapaz de bom conceito para casar com a donzela. Ali eles se radicaram e deram início a povoação, que tinha um poço em sua redondeza. Diz a memória popular que foi erguida uma trincheira ao redor da povoação para defender o lugar contra uma possível invasão holandesa. É provável que essas trincheiras tenham sido erguidas por descendentes ou remanescentes dos holandeses derrotados e expulsos após a Batalha dos Guararapes no século XVII.

O local onde hoje encontra a cidade de Poço das Trincheiras era a propriedade da família Wanderley, descendentes de batavos. Após alguns anos, João Carlos de Melo implantou uma fazenda naquela área e uniu-se aos Wanderley. Existe uma escritura de venda de terras nas imediações da Ribeira do Ipanema (Santana do Ipanema), datada de 19 de março de 1771, de João Carlos de Melo e Martinho Vieira Rego, que faz referência à Tapera do Jorge, hoje, pertencente ao município de Poço das Trincheiras. A Lei Provincial n° 927, de 10 de Julho de 1883, criou o distrito do Poço das Trincheiras. O grande desenvolvimento do povoado foi, paulatinamente, revelando a necessidade da independência política. O líder mais dedicado na luta da emancipação foi Osman Medeiros, para ver o povoado se tornar município autônomo. Finalmente, Poço das Trincheiras, antigo distrito subordinado ao município de Santana do Ipanema, foi elevado à categoria de município pela lei estadual nº 2100 de 15 de Julho de 1958 (instalação: 20 de Janeiro de 1959), sancionada pelo Governador Muniz Falcão.

Sob o ponto de vista religioso, a freguesia foi criada pelo então presidente da Província de AlagoasPedro Leão Velloso Filho, através da Lei n°960 de 18 de Julho de 1885. Porém não houve instituição canônica do bispo de Olinda. Dessa forma, somente em 25 de Maio de 2003, por decreto de Dom Fernando Iório Rodrigues, bispo diocesano de Palmeira dos Índios, foi instituída – conforme o Direito Eclesiástico – a Paróquia de São Sebastião do Poço das Trincheiras. No mesmo dia, foi expedida a Provisão nomeando o padre Gilson Farias Barbosa administrador paroquial.[5][6][7][8]

Segundo o Sr João de Aquino Monteiro, morador do povoado, afirmava com ênfase que as rústicas trincheiras foram erguidas no tempo dos holandeses, nas imediações da embocadura do Riacho do Sítio, nos Pacus, e na Cruz do Tempero na Passagem. Outras pessoas também acreditam que fossem do século XVII.[9]

O lugar recebeu o nome de Poço, porque, no rio Ipanema, havia um poço profundo abaixo das cachoeiras. Esse trecho do rio ficou conhecido por Poço Grande, era o local para o banho de vários moradores do povoado até a década de 40. Uma grande enchente, no dia 07 de Março de 1941, uma das maiores que se tem conhecimento, e que aterrou o Poço Grande. Esta escavação funda, natural no rio, deu nome também à Serra cuja ponta, serrote dos Coletes, aparece junto à do Almeida, porque fica escondida pelos serrotes Vera Cruz e Boqueirão.

O documento mais antigo, que encontramos o nome Poço das Trincheiras, é a relação dos assassinatos, roubos e incêndios praticados pelos irmãos Morais, manuscritos do capitão Manoel Antônio Pereira Júnior, de 1848. Vimos nele: “Prosseguem em sua marcha; passam na Palmeira de Fora e seguem para a Ribeira do Ipanema e na Povoação do Poço das Trincheiras assaltam a propriedade do velho Machado, matam a este e a três filhos, sendo um delles Ambrosio Machado Wanderley e a moço do Penedo, que naquela infeliz ocasião ali achava-se o negócio. Cinco mortes em um instante!

Antes, a pouca distância do Poço, encontraram um escravo do Vigário de Águas Belas – João Lins dos Reis com uma carga de bahus do mesmo vigário, conduziram tudo: negro, bahus, e cavalo. O vigário ia adiante e vendo o grupo, segui-o a todo galope a caminho d’Águas Belas; botaram-lhe sequazes atrás, mas não poderam chegar a ele”.[10]

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